Não dou sorte com parceiros
Herdeiros não me reconhecem como “sócio” do “Bar Brasil”
Não dou sorte com parceiros. Durante cinco anos, todas as terças-feiras, eu ia ao estúdio de Paulo Caruso fazer o "Bar Brasil" para a última página da revista "Senhor", de Mino Carta. Quando ele recebeu a proposta da 51 para fazer o stand numa feira de bebidas, nem me avisou. Alegou que o "Bar Brasil" era só dele, apesar de meu nome estar no cabeçalho. Apesar de termos feito, juntos, um programa de rádio chamado "Bar Brasil", diretamente de um bar chamado Bar Brasil (alameda Santos com Bela Cintra), transmitido pela Rádio Excelsior. Apesar de termos sido convidados, juntos, pelo Mário Alberto para mudarmos de revista. Apesar de termos sido convidados, juntos, pelo Johnny Saad para fazer do "Bar Brasil" um programete em forma de desenhos animados. Apesar de termos publicados, juntos, três livros: "Ecos do Ipiranga" (com as histórias que assinamos, os dois, na revista "Status", a convite do Gilberto Mansur, e duas coletâneas do "Bar Brasil", uma editada pela LP&M, outra pela Paz e Terra. Mas tem mais. Ele processou ao menos duas vezes empresas que usaram o "Bar Brasil" em propaganda sem pedir licença, processos robustos, com o dinheiro de um dos quais comprou um belo apartamento na Vila Madalena e jamais dividiu comigo. Nem me avisou a respeito. Eu soube por terceiros. Agora pedi metade dos 300 "Bar Brasil" que fizemos aos herdeiros. E eles alegaram ao juiz que o "Bar Brasil" é só do pai deles. Ou seja, só deles. E o mais incrível é que, apesar de tudo isso que eu escrevi acima, o juiz deu razão a eles. Não dou sorte com parceiros. Nem com juízes.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

