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Mauro Passos

Engenheiro, ex-deputado federal pelo PT/SC, e presidente do Instituto Ideal

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Nada é por acaso (parte IV)

Ainda bem que a vida segue

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Que início de mês interessante o de maio de 2026. Quando o pior Congresso que o Brasil já teve ainda comemorava as agruras do Messias e mostrava toda a sua pequenez ao derrubar o veto do presidente Lula para salvar os condenados pelo golpe de 8 de janeiro de 2023, o governo não perdeu tempo. Prontamente, anunciou que uma nova indicação deverá ser feita em breve para a vaga em aberto do Supremo Tribunal Federal.

Enquanto a oposição resmunga nas redes sociais, Lula está nos EUA, cumprindo agenda com Trump. Sobre o veto, o presidente mostra tranquilidade e está bem assessorado. Segundo se sabe, renomados juristas já identificaram vícios de origem na manobra do Senado.

Ainda bem que a vida segue. No sábado, a musicalidade latina tomou conta da Praia de Copacabana. A colombiana Shakira foi calorosamente acolhida por 2 milhões de pessoas. Uma estrela internacional totalmente comprometida com o Brasil, suas mulheres e a unidade latino-americana. Quem estava lá percebeu a energia e os recados que vinham dela.

Na segunda, dia 4, na rede LinkedIn, dois artigos mereceram atenção. O primeiro, de Julio Benchimol Pinto, e o segundo, de Edvaldo Santana. O professor Julio Pinto, sobre o Fantástico do dia 3, comentou sobre o especial da Globo China x EUA. "No primeiro episódio da série, compararam-se Xangai e Nova York: a China que planeja, executa e constrói em escala; os EUA, ainda gigantescos, mas com infraestrutura envelhecida, obras caríssimas e política em surto permanente". Como nada é por acaso, cabe uma reflexão isenta e oportuna. Em um horário nobre, com a audiência que tem, o que o Fantástico colocou no ar foi com o aval da alta direção da Globo. (*)

Quanto ao professor Edvaldo Santana, foi uma grata surpresa vê-lo na capa do jornal Valor do dia 4/5. Por conhecê-lo há bom tempo, vem minha admiração. Edvaldo tinha sido escolhido para falar sobre os dilemas contemporâneos. Nada mais justo e merecido. O que ele escreve está na página A9 do jornal, da qual reproduzo um pequeno trecho: "O progresso não é mais limitado à nossa habilidade de criar, e sim à capacidade ética de decidir se devemos fazê-lo. O dano é simultâneo à inovação." Ele cita como exemplo os datacenters, que chegam a consumir bilhões de litros de água por ano, mesmo sabendo-se que a água é um bem vital e finito. Essa preocupação com o futuro sempre esteve presente no professor Edvaldo e em seus artigos. Como nada é por acaso, lembrando que o jornal Valor pertence ao Grupo Globo, para um bom leitor o recado está dado: devagar com o andor.

Portanto, voltando ao título, o que veio do Fantástico e do jornal Valor faz sentido. A opção que está sendo colocada pela oposição ao atual governo é a pior possível. Sem um programa para a nação, continuam chantageando o governo sem se importar com as consequências. A sociedade já percebeu que esse comportamento agressivo não faz bem para o Brasil e para o nosso futuro. Sente-se desconfortável, mas não reage: sendo um ano eleitoral, o voto é a arma que se tem. A hora é agora, o caminho está dado e o que está em jogo também. Por isso, vote consciente: o país que se quer não é o de ontem, é o do amanhã.

(*) Julio Benchimol Pinto, é advogado, professor PhD pela UNB, pós doutorado em Oxford e Duke.

(*) Edvaldo Santana, economista, doutor pela UFSC, foi diretor da Aneel. Atualmente é conselheiro de empresas, consultor independente e articulista do Valor.   

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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