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Jair de Souza

Economista formado pela UFRJ, mestre em linguística também pela UFRJ

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Jesus não tem culpa nenhuma

Convicção de que a mensagem de Jesus foi sequestrada por lideranças neopentecostais alinhadas ao bolsonarismo, ao imperialismo e ao sionismo

Foto da 18° edição da Marcha para Jesus no Rio de Janeiro (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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Acaba de ser realizada a denominada “Marcha para Jesus”, comandada pelos empresários da fé que são os donos do neopentecostalismo no Brasil. A julgar pelas causas que defendem e por aqueles que a encabeçaram, talvez o nome mais apropriado para o tal evento fosse “Marcha para o Diabo”. É que o nível de maldade que esses empresários encarnam e impulsionam seria muito mais fielmente expressado pelo Senhor das Trevas, nunca por Jesus. Para confirmar isto, basta dizer que o candidato à presidência aliado aos interesses do imperialismo estadunidense foi a figura mais badalada no citado evento.

Porém, convém deixar bem claro que Jesus não pode, de modo algum, ser responsabilizado pelas perversidades que vêm sendo cometidas por aqueles que usurpam seu nome para promover questões que se contrapõem frontalmente a sua conduta e pregação estampadas nos textos dos Evangelhos. Ali, podemos comprovar que suas prioridades e preocupações sempre foram diametralmente opostas ao que está sendo levado adiante pelos empresários da fé que dirigem boa parte das chamadas igrejas neopentecostais.

Portanto, estou plenamente convencido de que é por meio da simbologia do próprio Jesus que vamos encontrar as formas mais eficazes para desmascarar e derrotar os agentes do imperialismo que atuam junto a nosso povo através da manipulação religiosa.

Na verdade, essa extrema direita falsamente cristã está engajada, acima de tudo, na propagação de uma ideologia inteiramente dedicada à defesa dos interesses do grande capital imperialista sediado nos Estados Unidos e os de seus associados no Brasil, assim como os de seus cúmplices do sionismo israelense.

Em termos práticos, esses estabelecimentos neopentecostais se tornaram a coluna vertebral do bolsonarismo, a corrente nazifascista mais reacionária de nosso país ao longo de toda nossa história. Foi tão somente pelo maciço apoio e orientação prestados pelas estruturas dessas empresas-igrejas que o bolsonarismo ganhou relevância numérica, deixando de representar apenas um grupinho de pessoas frustradas de classe média.

Assim, fazendo uso da manipulação religiosa e através de profunda injeção de ódio, certos “pastores” conseguem influenciar enormes contingentes de pessoas simples e humildes e induzi-las a serem coniventes com crimes tão abomináveis como os que estão sendo cometidos contra crianças, mulheres e toda a população desamparada de nossas periferias.

Para eles, os grandes criminosos não são os vorcaros e os bancos master da vida, que roubam centenas de bilhões de fundos de aposentados e pensionistas, e sim aqueles que furtam um celular. Esses “pastores” jamais dizem a seus seguidores que para combater os pequenos criminosos é preciso também ser duro com os grandes bandidos, com os que roubam sozinhos milhares de vezes mais do que todos os pequenos bandidos juntos.

Eles são também responsáveis pela insensibilidade de boa parte de nossa gente mais simples com a dor e o sofrimento de outros povos vítimas dos criminosos ataques do imperialismo e do sionismo. Com sua nefasta manipulação religiosa, eles têm levado muitas pessoas de boa-fé a serem coniventes com crimes tão atrozes como os que estão sendo cometidos contra a indefesa população da Palestina e do Líbano.

É inconcebível a ideia de que Jesus concordaria com o despedaçamento de crianças inocentes pelas bombas lançadas por uma das maiores potências militares da atualidade. Como é sabido por todos os que contam com um mínimo de informação verídica, as forças armadas do sionismo israelense estão entre as três mais poderosas do planeta. Por sua vez, o povo palestino está completamente desarmado.

É simplesmente inaceitável que um ser que simboliza a bondade e a solidariedade em seu ponto máximo venha a servir para justificar e apoiar o mais horrendo genocídio das últimas oito décadas. Fechar os olhos diante de tais atrocidades equivale a expressar tolerância e aceitação com aquelas que foram cometidas pelo nazismo hitlerista na primeira metade do século passado. Uma atitude deste tipo poderia, sem dúvidas, ser entendida como normal se viesse de um seguidor declarado do Diabo. Mas, agir assim apegando-se ao nome de Jesus deveria ser visto como um crime ainda mais diabólico.

Além disso, precisamos sempre ter em mente que não há nada condenável na decisão de optar por ter e cultuar uma religião, seja ela evangélica, católica, islâmica, de matriz africana, etc. Todos devem ter o direito de seguir a religião que lhe pareça estar mais em conformidade com seu entendimento do mundo. Entretanto, o que não podemos aceitar de modo nenhum é que alguns espertalhões queiram recorrer a uma ideologia pretensamente religiosa para manipular nosso povo e induzi-lo a apoiar o imperialismo, a trair nossa pátria, a favorecer as classes dominantes em detrimento das maiorias trabalhadoras, ou seja, a fazer exatamente o oposto do que os Evangelhos indicam ter sido o comportamento de Jesus.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.