Ibaneis, Vorcaro, INSS, Lagoinha, governadores, Globo, Faria Lima: a direita em pé de guerra pela Presidência
A disputa interna da direita e o avanço das investigações sobre o INSS e o Master expõem uma crise de poder que pode abalar alianças e redefinir as eleições
A direita brasileira e sua vertente empoderada nos últimos anos, a extrema direita, precisam encontrar uma saída para manter chances eleitorais em 2026, quando o povo brasileiro votará novamente para escolher o presidente da República. Acontece que a oposição bolsonarista e a imprensa hegemônica, controlada por famílias bilionárias, após forçar a barra com mentiras e ações sórdidas e maledicentes no Congresso e pela internet, com a intenção de novamente perseguir o Lulinha, filho do presidente Lula (inclusive com a tentativa de convocá-lo para a CPI do INSS), viram as investigações da Polícia Federal atingirem, até agora, apenas pessoas vinculadas à própria direita brasileira, tanto na esfera do INSS quanto no âmbito do megaescândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que foi liquidado pelo Banco Central.
Contudo, eis que a imprensa de mercado mais corrupta e golpista deste país, a imprensa de aristocratas bilionários dedicados integralmente ao lucro e a golpes de Estado, que objetivam mantê-los no controle do status quo, tenta, de todas as maneiras, “colar” no Governo Lula-3 o megaescândalo financeiro cujo principal ator é o banqueiro Daniel Vorcaro e seus cúmplices de malfeitos, que atuam e agem em inúmeros segmentos e setores, tanto público quanto privado, conforme investigações e relatórios da PF, do MPF e de setores do governo e da Justiça, que já estão carecas de saber quem é quem, mas, evidentemente, têm que enfrentar a reação de oposicionistas que não querem o fortalecimento do presidente Lula e de seu governo, afinal as eleições presidenciais acontecerão daqui a nove meses.
Por sua vez, há o caso que levou à prisão de um pastor/banqueiro da Igreja Batista da Lagoinha. Trata-se de Fabiano Zettel, que é casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel é o maior financiador das campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas; ambos receberam R$ 3 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente, em 2018. O líder da Lagoinha é o famoso bolsonarista e pastor André Valadão, que deu declarações polêmicas e causou irritação e contestação a grupos identitários.
Valadão lidera a Lagoinha Global. Ele mora em Miami, bem como é dono de uma fintech cujo nome é Clava Forte Bank. A fintech está fora do ar para manutenção, mas o deputado mineiro do PT e membro da CPMI do INSS, Rogério Correia, declarou que a “manutenção programada” da fintech coincidiu com a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, o que, para o deputado, soa estranho. Valadão se relaciona com Vorcaro há muitos anos. A Clava Forte Bank é a primeira fintech “cristã” a funcionar no Brasil. Vorcaro, depois de preso, está a usar tornozeleira eletrônica.
Entretanto, não se sabe realmente o porquê de grupos como Globo, Folha, Poder360, Metrópoles, Veja, Estadão, CNN, dentre outros consorciados das mídias de direita e empresarial, tentarem inverter a realidade dos fatos quanto à culpabilidade dos autores das fraudes no Master/BRB e no INSS, porque as evidências gritam e não há como tapar o sol com uma peneira. Não há sentido. Evidentemente, o banqueiro Vorcaro é financiador de partidos de direita, que se unem para formar o famigerado Centrão, além do PL essencialmente bolsonarista, de extrema direita, que tem inúmeros membros presos após o julgamento no STF relativo à intentona golpista ocorrida em 8 de janeiro de 2023 e à tentativa de golpe de Estado.
Por sua vez, sabe-se que inúmeros parlamentares que atuam no campo político e ideológico conservador, sendo que muitos deles têm um viés francamente fascista, estão a gritar e a causar confusões, porque estão envolvidos com três questões que podem estremecer a República, a seguir: 1 - emendas do orçamento secreto; 2 - megaescândalo Master/Vorcaro; e 3 - corrupção no INSS, que prejudicou milhões de aposentados e pensionistas.
Agora vamos à pergunta que não quer calar: os principais atores desses três desmandos financeiros bilionários, sendo que muitos deles já estão presos, processados ou a responder em “liberdade” mediante o uso de tornozeleiras eletrônicas e limitação de horários e lugares onde podem ir ou ficar, quantos são ligados, simpatizam ou votaram em partidos e políticos de direita? Quantos deles foram nomeados pelos governos direitistas e ultraneoliberais de Michel Temer e Jair Bolsonaro? Quantos deles estão implicados nos casos das emendas secretas, INSS e Master/BRB? Quantos são ligados direta ou indiretamente aos governos de direita de Michel Temer e Jair Bolsonaro?
Basta pesquisar para perceber que vários desses personagens têm relações com o campo da direita política e empresarial, com ramificações em órgãos como o INSS e bancos, a exemplo do Master, além da cumplicidade de agentes públicos importantes, como inúmeros governadores, dentre eles Ibaneis Rocha, que foi recentemente citado por cinco partidos junto ao STJ para que o governador do DF seja investigado e, por sua vez, afastado do poder, porque se trata de um caso escandaloso, de repercussão nacional, cujo banco público, o BRB, comprou a carteira do Master, que agora está sendo colocada à venda, a toque de caixa, aos tubarões da Faria Lima, porque se livrar dessa terrível situação é o que desejam mandatários dos naipes dos bolsonaristas Ibaneis Rocha e Celina Leão.
Os ativos colocados à venda no mercado pelo BRB chegam aos valores de R$ 21,9 bilhões. O atual presidente do banco público, Nelson Antônio de Souza, anunciou que irá pessoalmente tentar realizar o negócio bilionário. Ibaneis é um político sorrateiro e ladino, pois sempre submerge politicamente quando seus atos e ações não dão certo e podem causar-lhe problemas sérios, a exemplo do que ocorreu quando a PM, a Polícia Civil e seu secretário de Segurança, Anderson Torres, que está preso, cooperaram para que a intentona bolsonarista terminasse em um violento quebra-quebra dos palácios da República. Ibaneis foi afastado do poder por apenas três meses e, incrivelmente, voltou lépido e fagueiro para novamente se meter em grandes confusões e fazer oposição ferrenha ao Governo Lula-3.
Contudo, a questão de má gestão e irresponsabilidade (crime de responsabilidade) com o dinheiro público ou de terceiros, a exemplo dos sistemas previdenciários de servidores públicos estaduais e municipais, expôs de forma acachapante e praticamente inquestionável que setores e segmentos empresariais e políticos, principalmente os que militam no campo da direita, dedicam-se a variadas estratégias golpistas para desviar o dinheiro público, de forma a canalizá-lo para a iniciativa privada, porque controlar o dinheiro pertencente ao Estado, que é sustentado pelos impostos pagos pela população, tornou-se há muito tempo o meio mais lucrativo para garantir os interesses patrimoniais e financeiros de uma casta elitizada que vive há séculos do dinheiro público, que é simplesmente roubado por meios sofisticados para que os autores de tamanha corrupção não sejam julgados e presos.
Todo esse processo vampiresco, porque grande parte da burguesia mama diretamente na jugular do Estado, acontece também em outros setores da economia, mas nada se compara ao setor financeiro, cuja sede principal fica na Faria Lima, em São Paulo, que há muitas décadas financia políticos corruptos e vinculados totalmente aos seus interesses mais ferozes e mesquinhos. Entretanto, parece que o megaescândalo Master, se for investigado de maneira séria, irá expor as caras e os nomes daqueles que roubam para valer a sociedade civil pagadora de impostos.
Por sua vez, esses rostos são delineados e possuem perfis e biografias. Observa-se que muitos dos envolvidos com tamanha patuscada são empresários e políticos de direita, o que está a causar grande alvoroço em Brasília e na Faria Lima dos banqueiros, porque o escândalo poderá chegar a vários governadores, deputados, senadores, empresários, banqueiros, pastores, enfim, o megaescândalo de dezenas de bilhões de reais, que corroerá a moral dos magnatas, se algum dia eles tiveram alguma moral e respeitabilidade de fato perante a maioria da sociedade brasileira.
Uma sociedade partida, pelo que se observa, de maneira que os bolsonaristas excetuam-se do que concerne à civilização, porque são cúmplices e, ao mesmo tempo, atores dos desmandos do sombrio e perverso Governo Bolsonaro, pois realisticamente estão eivados de ódio há mais de dez anos e com problemas cognitivos graves, que os levam a não discernir sobre a realidade que os rodeia, bem como não conseguem compreender quem é quem no tabuleiro eleitoral, político e ideológico, a apoiar, sistematicamente, políticos que votam em plenário contra os interesses do país e combatem os direitos da população, fatos esses que exemplarmente demonstram que grande parte do povo brasileiro sofre da Síndrome de Estocolmo, ou seja, admira e apoia seus próprios algozes, que são os donos do dinheiro e do patrimônio privado.
Trata-se de uma realidade que até então não se sabia até surgir a candidatura Bolsonaro em 2018, o que fez esse tipo de gente de essência bárbara e sectária, independente do grau de instrução escolar e da classe social a que pertence, sentir-se à vontade para expressar por palavras, atos e ações toda a vilania e preconceitos que sempre sentiram, mas esconderam disfarçadamente e agora externam seus demônios sem sentir o mínimo de vergonha na cara, a praticar, inclusive, crimes definidos no Código Penal.
Entretanto, a tal da imprensa de mercado e pertencente à meia dúzia de famílias, na verdade, propriedade privada de magnatas bilionários, que historicamente sempre combateram no Brasil os governos progressistas, desde os tempos do estadista Getúlio Vargas, resolveu engendrar mais um golpe para sua coleção de patifarias e, por seu turno, tentar, como disse anteriormente, “colar” no Governo trabalhista de Lula-3 o escândalo bilionário do Banco Master, cujos principais autores ou responsáveis são o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nomeado por Jair Bolsonaro, assim como, evidentemente, o banqueiro Daniel Vorcaro, a diretoria do BRB e, principalmente, a autorização do governador do DF, Ibaneis Rocha, em dupla com a vice do DF, Celina Leão, com a participação de inúmeros cúmplices espalhados pelo Congresso Nacional, governadores de estados da Federação e muitos empresários e banqueiros que militam politicamente na Faria Lima, em São Paulo.
Somente um idiota ou um sem noção, que se veste de amarelo há dez anos e vive enrolado em uma bandeira do Brasil para pedir um golpe de Estado, acredita que o Governo Lula-3 esteja envolvido com esse caso de alta corrupção, quando a verdade é que quem liquidou o Banco Master foi o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O principal executivo do BC foi nomeado exatamente pelo presidente Lula. A verdade é que, na administração de Campos Neto à frente do BC, o banqueiro Daniel Vorcaro e seus cúmplices deitaram e rolaram, e deu no que deu: as liquidações do Banco Master e do Will Bank, que resultaram em um rombo de R$ 47,3 bilhões.
Além disso, o BRB teve prejuízos que podem passar dos R$ 5 bilhões. O rombo do Master, para quem não sabe, é o maior da história do Brasil e supera em R$ 14,8 bilhões as fraudes do Banco Nacional acontecidas em 1995, que até então liderava o ranking da corrupção e desmandos no setor bancário com a “bagatela” de R$ 32,5 bilhões. Viva o Ibaneis! Viva! Viva o Campos Neto! Viva! Viva a camarilha que arrombou o BRB! Viva! A verdade é que o governador e a vice-governadora do DF deveriam ser afastados de seus cargos até que chegassem ao fim as investigações no BRB e no Master, dentre outros bancos, fintechs e previdências de servidores públicos estaduais, afinal vários governadores que atuam no campo da direita investiram em papéis podres vendidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Porém, até agora, Ibaneis continua livre, lépido e fagueiro no cargo de governador, apesar de o STJ ter enviado despacho para a PGR decidir sobre o andamento processual de improbidade administrativa no Governo do DF. Os partidos PT, Rede, PDT, PCdoB e PV apresentaram notícia de fato ao STJ, que enviou para a PGR. Vorcaro disse que se encontrou com Ibaneis para tratar da venda do Master, mas o governador negou o encontro. A verdade é que se trata de bilhões de reais e as investigações terão de chegar ao seu término e, consequentemente, apontar qual é o papel de cada um no que concerne ao megaescândalo Master.
Aconteceu assim: o banqueiro de ações de alta periculosidade, Daniel Vorcaro, pediu ajuda para Campos Neto, aquele sujeito capitão-do-mato de banqueiros nomeado por Jair Bolsonaro para colonizar o Banco Central, que manteve juros escorchantes para sabotar o crescimento econômico no Governo Lula-3, além de ser acusado de cometer o crime de prevaricação, a partir da hora que blindou o banqueiro por duas vezes, de acordo com as investigações da PF, para, dessa forma, impedir a liquidação do Banco Master.
A verdade nua e crua é que Daniel Vorcaro, certamente, pensou que teria o mesmo privilégio e a cumplicidade de seus aliados dos tempos do governo de ultradireita de Jair Bolsonaro, a querer repetir os mesmos maus procedimentos no Governo Trabalhista de Lula, mas o tiro saiu pela culatra. Lula, em reunião no Palácio do Planalto, mandou-o falar com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, que rapidamente decidiu fechar as portas do falido Banco Master. O resto é conversa fiada e mentiras da extrema direita oposicionista e da imprensa lavajatista, comercial e privada, que apostam em outro golpe para impedir que Lula se eleja pela quarta vez presidente da República ainda este ano. A verdade, como sempre, prevalecerá e os envolvidos com a política rasteira de sempre terão de suportar mais uma derrota eleitoral. O resto é golpe.
O Banco Master era o cofre do bolsonarismo, e a direita midiática, que historicamente apoia e participa de golpes de Estado e luta para manter privilégios de uma casta rica, entendeu que será muito difícil derrotar Lula nas eleições deste ano e, por isso, tenta desesperadamente e criminosamente “colar” o megaescândalo Master no Governo Lula. Um processo sórdido e gangsteriano, mas o PT e seus aliados estão mais do que vacinados para enfrentar e derrotar a “elite” brasileira de predicados escravagistas.
A quebradeira do Master prejudicou mais de 1,6 milhão de pessoas, e a previsão é que um rombo de mais de R$ 47 bilhões será arcado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), realidade que irritou profundamente os donos do dinheiro, que sonhavam com o Estado a cobrir rombos bilionários como aconteceu no passado. Outro fator importante é a eleição presidencial, e a imprensa lavajatista, acostumada com golpes, tentou “colar” o Master/BRB no Governo Lula-3, mas não deu certo e a imprensa de mercado teve que recuar do seu golpismo e, assim, parar de mentir, de dissimular. Esse escândalo tem muitos nomes e autores, que cedo ou tarde responderão por seus crimes. É isso aí.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
