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Heraldo Campos

Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas (UNESP), mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e doutor em Ciências (1993) pela USP. Pós-doutor (2000) pela Universidad Politécnica de Cataluña - UPC e pós-doutorado (2010) pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP)

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Haiti, vencedor

A história de resistência do Haiti ganha destaque após polêmica com a FIFA sobre símbolo da independência estampado no uniforme da seleção

Wilson Isidor, atacante do Haiti, comemora gol contra o Peru em amistoso (Foto: Reuters/Imagn Images/Jeff Romance)
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A partir da baixaria da FIFA nesta Copa do Mundo de 2026, em curso, de proibir um determinado símbolo no uniforme da seleção de futebol do Haiti, a curiosidade foi despertada e fomos atrás para saber do que se tratava.

“O motivo era uma ilustração discreta, posicionada perto do quadril direito do uniforme. Ela mostrava silhuetas de combatentes erguendo a bandeira do Haiti - uma representação da Batalha de Vertières, o confronto de 1803 que selou a independência do país.” [1]

Assim, o desconhecimento sobre a história desse país caribenho era tamanho que aguçou a procura por mais informação em livros existentes no modesto acervo doméstico.

Dessa maneira, fuça daqui, fuça dali, foi encontrado, no meio da estante nada organizada, o “Atlas da História do Mundo” [2], de 1995. Procurando pelo nome de “Haiti” no índice desse Atlas, encontraram-se algumas referências sobre as características desse país, vizinho da República Dominicana, no território da Ilha de Hispaniola, e alvo de viagens ao Caribe no período de 1493 a 1519, como foram as expedições espanholas, que exploraram essa região em busca de um caminho marítimo para a China, a Índia e a Península Dourada (regiões das atuais Malásia, Tailândia e Mianmar). Alguns recortes da história dessa região serão apresentados a seguir, a partir dessa publicação citada.

“O açúcar era o mais lucrativo de todos os produtos exóticos importados pela Europa no início dos tempos modernos. Desde meados do século 17 até depois do fim do século 18, as ilhas produtoras de açúcar no Caribe eram consideradas pelos europeus as mais ambicionadas possessões de além-mar”.

No caso específico do Haiti, em 1791, um “Levante de escravos na parte ocidental francesa (Saint Domingue) da Ilha de Hispaniola resultou na ascensão do líder negro Toussaint l'Ouverture; em 1801, ele já havia conquistado o resto da ilha aos espanhóis e assegurado a independência. A ilha foi então tomada pelos franceses e o levante sufocado. A independência só foi totalmente assegurada após 1825.”

Mais adiante, no século passado, os EUA fizeram intervenções no Caribe. Em 1905, 1916-1924 na República Dominicana e em 1915-1934 no Haiti, durante seu conhecido processo expansionista nessa região e em outras partes do mundo, o que, convenhamos, mostra-se uma intromissão na terra de outros povos, como vem fazendo o atual presidente americano, seguindo a receita de seus antecessores e se candidatando, Deus me livre, como um novo anticristo [3].

Para encerrar, com essa breve introdução sobre a história do Haiti, vencedor na sua independência política dos franceses e que recentemente sua seleção nacional de futebol jogou contra o Brasil, nessa Copa de 2026, cita-se um trecho da canção “Haiti”, de 1993, composta por Caetano Veloso e Gilberto Gil: “E não importa se olhos do mundo inteiro / Possam estar por um momento voltados para o largo / Onde

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.