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Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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Gaúchos criam o bolsonarismo por empreitada

"Este é o estranho caso de um líder emedebista que foi trabalhar para a extrema direita", como conta Moisés Mendes

Cezar Schirmer e Coronel Zucco (Foto: Reprodução/RBS TV - Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
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A porção arrogante do Rio Grande do Sul, que não é pequena, tem mais um exemplo a oferecer ao Brasil. Um emedebista histórico, o ex-deputado Cezar Schirmer, aliou-se à campanha do bolsonarismo ao governo do Estado, mas para trabalhar por empreitada.

Schirmer será conselheiro do Coronel Zucco, o candidato do PL, por tempo determinado. É uma variação aplicada à política da proposta de PEC 12/2026, do senador Rogério Marinho (PL-RN), que institui o trabalho com a negociação flexível de horas de serviço.

Schirmer é secretário de Planejamento do prefeito Sebastião Melo, também do MDB. Sua situação cria esse detalhe inovador: ficou acertado que a suspensão da sua filiação, pelos constrangimentos causados entre emedebistas, vale até a eleição do primeiro turno. 

É o tempo previsto para que a tarefa seja cumprida. Depois, já no dia 6 de outubro, ele e o diretório irão reavaliar a relação com o partido. Por seu envolvimento com a extrema direita, a filiação foi suspensa por decisão da executiva do diretório estadual do MDB. É algo raro em circunstâncias como essa e com uma figura com esse histórico. 

O partido tem um candidato ao governo, o vice-governador Gabriel Souza, abandonado por uma parte das lideranças do próprio MDB. Souza também viu o PP, que pretendia atrair para a sua chapa, aliar-se a Zucco. Foi largado ao relento.

Schirmer tem 74 anos, foi deputado estadual e federal, presidiu o MDB do Rio Grande do Sul por três vezes, foi líder do partido na Câmara. Também por três vezes assumiu secretarias de Estado e foi prefeito de Santa Maria. É da turma dos moderados do MDB. Conviveu com Pedro Simon e Paulo Brossard.

Em carta ao diretório, ele relembra sua história no partido desde a década de 70, queixa-se do esvaziamento da sigla no Estado e da imposição do nome de Souza como candidato e diz que, “em todos esses anos, nunca precisei escolher entre o que era conveniente e o que era correto”. E acrescenta: “Hoje, lamentavelmente, essa escolha me é imposta”.

Especula-se que, para ser correto, dependendo da performance do coroné Zucco, Schirmer poderia, em caso de vitória, bandear-se para o bolsonarismo, deixando de ser apenas um agregado temporário. Assumiria a Secretaria de Segurança, onde já esteve no governo de José Ivo Sartori.

O emedebista entrou numa confusão. Zucco enfrenta o desgaste da crise provocada por Flávio Bolsonaro e suas relações com Vorcaro e Trump. O PP que o apoia e ofereceu a vice, deputada estadual Silvana Covatti, é atingido pelo mesmo estrago feito por Ciro Nogueira e suas mesadas pagas pelo banqueiro mafioso.

Zucco está tão inseguro que anunciou, muito antes do evento, que não iria a um debate, na quarta-feira, com os candidatos ao governo do Estado Juliana Brizola (PDT), Gabriel Souza e Marcelo Maranata (PSDB), na Federasul, a federação do comércio.

Não apareceu na sede de um dos mais fortes e reacionários redutos empresariais da velha direita gaúcha contaminada pelo bolsonarismo que também contagiou em 2018 o governador, e então tucano, Eduardo Leite (PSD). Zucco decidiu cumprir compromissos em Brasília.

Foi apontado nas redes sociais com um coroné frouxo que fugiu do confronto com a neta de Brizola. O bolsonarismo gaúcho está assustado, depois de puxar muita gente da velha direita para o seu pântano. Schirmer é apenas o agregado mais famoso.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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