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Adilson Roberto Gonçalves

Pesquisador científico em Campinas-SP

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Estocadas neoliberais fascistas

A extrema direita aposta em ataques à soberania e à democracia

Ato contra fascismo (Foto: Guilherme Santos (Brasil de Fato))
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

A traição do candidato bolsonarista dissecada no artigo passado (https://www.brasil247.com/blog/o-jeito-bolsonaro-de-trair-a-patria) faz escola, incluindo outras trajetórias que procuram interferir no processo eleitoral e estimular os demais representantes desse espectro político a impor sua (in)verdade.

Com o “tariflávio”, Lula e sua equipe têm razão em torcer pela manutenção de Flávio Bolsonaro como candidato da extrema direita, uma vez que o senador é muito eficiente em aumentar o engajamento a favor do presidente com os atos que pratica. Até a Bolsa não caiu tanto quanto o esperado depois do anúncio das medidas de Donald Trump, mais por estar sujeita a outras variações, como a guerra no Irã e o preço do petróleo. Além disso, Lula participa do G7 na Europa para convencer o doidivana aniversariante da semana (desejaria a ele o jargão “saúde e paz”: saúde para aguentarmos seus desvarios, e paz para o mundo em guerras causadas por ele) que está, mais uma vez, equivocado nas premissas que levaram ao tariflávio. Mas vamos ver até onde a Faria Lima continuará assimilando e tolerando a inépcia de mais um Bolsonaro.

Por aqui continuam os ataques à verdade dos fatos, com grupos baseados no Instituto Millenium que preconizam um neoliberalismo que opera apenas na teoria, sem pessoas e povo dentro dele. Uma dessas investidas é o “Mesa Plural”, ao qual foi dado amplo espaço na Folha de S. Paulo (2/6) para defender o dissenso, afirmando a falsa premissa da necessidade de alternativas à dita “polarização” política. Não há como aceitar seus pressupostos, pois não é questão de polarização quando um lado segue práticas fascistas, pregando a destruição das formas democráticas de convivência que não sejam as próprias. O discurso dessa pluralidade, quando se escuta apenas a própria voz, é mais uma forma de escamotear rótulos da extrema direita, como “terceira via”, “apartidarismo”, “virar a página da história”, “apagar o passado”, “fora do esquema” e por aí vai.

A Folha segue nessa abertura deletéria de pressupostos quando avalia a forma como o presidente do Senado, legítimo representante do Centrão, lida com questões políticas e econômicas que interferem não apenas na candidatura de Lula, mas em todo o país. Davi Alcolumbre carrega o neoliberalismo fascista nas entranhas, faz de tudo por sua reeleição e a Folha conseguiu fazer um editorial em que colocou a culpa da pauta-bomba em Lula (“Congresso entra com gosto na farra fiscal e eleitoral”, 12/6). Não bastasse isso, deu uma estocada “gratuita” no governo Dilma, a quem atribuiu “desastre social”, o que, na verdade, foi resistência para não se submeter à voracidade de Eduardo Cunha. Idiossincrasia ou a história de ser isenta é ficção? Pergunta retórica, pois sabemos a resposta.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.