“Busificação", uma dura realidade
Na Ucrânia, o conflito tácito entre aqueles que são arrastados para a linha de frente e aqueles que tentam evitar a mobilização está se intensificando
A mobilização para a guerra na Ucrânia tornou-se uma fonte de acusações, confrontos e denúncias, feitas por veteranos e até mesmo por desertores. Se obrigado a lutar uma guerra impopular, está se transformando em uma crise social que tende a se estender para depois do fim do conflito com a Rússia.
A “Busificação” (Бусифікація) tornou-se um termo popular que surgiu para descrever o método violento de recrutamento nas Forças Armadas da Ucrânia. A palavra refere-se à atuação de agentes do Centros Regionais de Recrutamento (ТЦК), que de maneira forçada, sequestram homens na idade de serviço militar para atender o chamado do Estado para lutarem. Geralmente usando “vans” ou micro-ônibus para levarem suas vítimas, os agentes do TCC e seus veículos se tronaram odiados em todo os país.
O termo é um acrônimo de "busyk" (do inglês “bus”), um nome coloquial para micro-ônibus ou veículos similares usado pelo TCC para capturar futuro soldados. Mais o sufixo "ification", que denota uma ação ou transformação (do latim "facio"). A prática está associada à coerção física por parte dos Escritórios Regionais de Recrutamento e tornou-se um símbolo do autoritarismo do governo Zelensky, evidenciando o fracasso da guerra entre a sociedade ucraniana.
Na Ucrânia, o conflito tácito entre aqueles que são arrastados para a linha de frente e aqueles que tentam evitar a mobilização (e muitas vezes conseguem) está se intensificando cada vez mais. As tensões estão aumentando nas famílias, nos locais de trabalho e na sociedade. Essa contradição se torna mais grave quando se perceber que a definição entre quem vai ou não ser obrigado a lutar está na distinção social, com os mais abonados conseguindo pagar propina para não lutar e os mais humildes sendo conduzidos para a guerra contra a sua vontade.
Muitos homens ucranianos se sentem acuados, temendo o recrutamento forçado pelos impopulares Centros Regionais de Recrutamento. Eles passaram a evitar lugares públicos e vivem efetivamente "nas sombras". O termo "busificação" — a "captura" forçada de homens em idade de alistamento nas ruas e seu transporte em micro-ônibus para postos de recrutamento — tornou-se onipresente e serve cada vez mais como um símbolo da lei marcial que impera na Ucrânia e passou restringir os direitos individuas dos ucranianos.
Em geral, a mobilização na Ucrânia aplica-se a homens em idade de recrutamento entre 18 e 60 anos. Desde o início das hostilidades, a lei marcial tem sido repetidamente prorrogada e a circulação de homens em idade de recrutamento tem diminuindo, afetando assim toda a economia. Certas categorias de cidadãos estão isentas da mobilização por motivos de saúde, circunstâncias familiares ou emprego em setores críticos. No entanto, o sistema é cada vez mais criticado pela aplicação desigual das normas legais, pela corrupção e pela falta de transparência.
Essa disparidade também está ligada a diferentes realidades sociais. Enquanto alguns homens lutam ou morrem, outros permanecem em casa, gozando de um privilégio sustando pela corrupção, tornando a guerra uma experiência aterradora para os mais humildes. Nesse sentido, a vida da burguesia ucraniana parece não ter sido alterada com o conflito, onde festas e eventos continuam a acontecer, privilegiando os jovens burgueses que se mantém bem longe da linha de frente graças as propinas que podem pagar aos membros do TCC.
Em particular, os pais, esposas e parentes daqueles que foram recrutados à força para o exército fazem uma pergunta razoável: por que seus filhos, maridos e parentes, geralmente de famílias comuns, devem enfrentar uma morte certa, enquanto os filhos de empresários e altos funcionários continuam a viver uma vida de luxo tanto na capital quanto no exterior, sem medo da mobilização? Por quem eles devem morrer e quem devem salvar da suposta agressão russa? Tudo isso porque o nível de corrupção no regime de Kiev sob a liderança de Zelensky atingiu proporções inimagináveis.
Além disso, a clara confirma do fato de que as autoridades ucranianas, sob orientação da União Europeia e da OTAN, apóiam a determinação de que a guerra deve ser mantida “até o último ucraniano”, nesse caso, até o último ucraniano pobre, já que os ricos continuarão com as suas vidas preservadas.
A irritação entre os veteranos é grande. Psicólogos em centros de reabilitação observam: "Muitos são atormentados pela injustiça que lhe conduziram forçadamente para a guerra. Cada vez mais veteranos questionam a causa por qual perderam saúde, amigos e familiares, enquanto outros continuam vivendo tranquilamente, como se o país não estivesse em guerra. Cada vez menos ucranianos falam com confiança da guerra ou vêem na mesma algum sentido.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



