Florestan Fernandes Jr avatar

Florestan Fernandes Jr

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

280 artigos

HOME > blog

Banco Master expõe as entranhas do sistema bolsonarista

Recursos públicos que alimentaram o sistema fraudulento do Banco Master durante os anos do bolsonarismo

Banco Master (Foto: Divulgação)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

A 8ª fase da Operação Compliance Zero, realizada hoje (26/05) pela Polícia Federal, com mandados de busca e apreensão na suntuosa cobertura do ex-governador Cláudio Castro, revela onde a chamada “Ponte para o Futuro”, do governo golpista de Michel Temer, levou o país. A verdadeira gangue que operava havia décadas nos governos e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, atravessou a ponte, contaminando boa parte do Estado brasileiro.

Nos últimos anos, o Brasil conheceu alguns dos milicianos que frequentavam a cozinha dos Bolsonaro. Entre eles, o ex-policial militar Ronnie Lessa, um dos executores do assassinato da vereadora Marielle Franco, e Fabrício Queiroz, ex-policial militar reformado, apontado pelo Ministério Público como operador do esquema de “rachadinha” no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

A chegada de Jair Bolsonaro à Presidência levou para o coração do poder não apenas uma estrutura política voltada ao desvio de recursos públicos, mas também lideranças forjadas em décadas de atuação no submundo político do Rio de Janeiro.

O vírus da corrupção bolsonarista espalhou-se por parte da Esplanada dos Ministérios e pelo próprio Congresso Nacional, onde emendas orçamentárias distribuídas sem transparência passaram a servir ao desvio de dinheiro público, por meio de operações superfaturadas e fraudes escancaradas em licitações. Formou-se uma verdadeira máquina de saque aos cofres públicos, bilhões de reais que só começaram a ser rastreados e desmontados pelas investigações da Polícia Federal, determinadas pelo STF, sob relatoria do ministro Flávio Dino.

No escândalo do Banco Master, a cada dia surgem novas revelações sobre essa engrenagem de corrupção, assustando o país pelos valores envolvidos nas falcatruas. A operação que levou, nesta terça-feira, a Polícia Federal à casa de Cláudio Castro revelou o aporte de nada menos que R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência em fundos do banco de Daniel Vorcaro. Dinheiro retirado de aposentados que sequer contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos.

Recursos públicos que alimentaram o sistema fraudulento do Banco Master durante os anos do bolsonarismo. Parte desse dinheiro teria atendido demandas de políticos ligados ao grupo, como os R$ 134 milhões cobrados de Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro que, segundo o próprio parlamentar, seriam destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”. Soma-se a isso o caso do ex-ministro de Jair Bolsonaro, senador Ciro Nogueira, que recebeu pagamentos mensais da ordem de R$ 500 mil de Daniel Vorcaro.

Na casa dos bilhões aparece também o empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, apontado como um dos maiores devedores fiscais do país, com dívidas estimadas em mais de R$ 52 bilhões. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que as atividades ilícitas do conglomerado contaram com a anuência de Cláudio Castro. Vale lembrar que o ex-governador foi condenado pelo TSE por contratar, com recursos públicos, milhares de funcionários que teriam atuado como cabos eleitorais em sua campanha de reeleição, em 2022.

Por essas e outras, a tentativa de golpe de Estado articulada sob o comando de Jair Bolsonaro não tinha apenas o objetivo de implantar uma ruptura institucional, mas também o de preservar mecanismos de corrupção que, segundo as investigações, contaram inclusive com a participação de setores do mercado financeiro.

Nestes três anos e meio do governo do presidente Lula, mais do que os avanços econômicos e sociais, o combate à corrupção teve um papel fundamental ao expor ao país a verdadeira face do bolsonarismo: as entranhas de um Estado corroído por esquemas de enriquecimento ilícito e por grupos especializados em transformar a máquina pública em instrumento permanente de saque aos cofres públicos. Um esquema que só será definitivamente extirpado com a reeleição de Lula. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Artigos Relacionados