Aliança da direita contra os trabalhadores não é novidade
“Eles sempre esperneiam, mas, na luta, vamos avançando”, diz Reimont
Abrimos a semana com o PL e o União Brasil formando uma aliança para barrar o fim da jornada de trabalho 6x1, que corrói a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras do país; o União Brasil será o relator do projeto na Câmara.
A mídia conservadora vai na mesma levada, garimpando argumentos aleatórios contra o projeto que é promessa do governo Lula e vai coroar inúmeros avanços nos direitos trabalhistas e sociais para a imensa maioria. Vociferam que vai “quebrar a economia”, “inflação à vista!”, “prejudica os consumidores” (como se os trabalhadores não fossem consumidores!), o “desemprego vai explodir”. É o terrorismo das palavras.
Não há qualquer novidade nesta campanha de guerra. Desde as lutas pelo fim da escravidão é assim e a assinatura da Lei Áurea, em 1888, a elite defende direitos plenos aos poderosos e zero direito para o povo. Foi assim também em relação à jornada de 8 horas diárias (1932), criação do salário-mínimo (1940), licença-maternidade (1943), descanso semanal remunerado (1949), 13º salário (1962), licença-paternidade (1943 e 1988), férias remuneradas de 30 dias (1988), taxação das grandes fortunas (agora).
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No corte de direitos, eles sempre estão juntos. Aconteceu quando a ditadura militar-empresarial de 1964 implantou o maior arrocho salarial da história, levando o salário mínimo a perder mais de 50% de seu valor real!, ou na reforma trabalhista do golpista Michel Temer, que rasgou a CLT (2017), e na reforma da previdência do golpista inelegível Jair (2019). É assim quando parlamentares da extrema direita colecionam dezenas de projetos contra o aumento real do salário mínimo, das aposentadorias e pensões e dos benefícios sociais, sempre sob o falso argumento de gerar mais empregos e renda, o que jamais ocorreu.
A ladainha “vai quebrar a economia” é agora repetida em manchete da Folha de São Paulo, com base em uma comparação forçada com o resto do mundo – “o brasileiro não trabalha muito e nem pode ser considerado particularmente esforçado”. A “reportagem” apresenta um estudo matreiro destacando que a média global mundial de horas trabalhadas, na maioria dos 160 países pesquisados, foi de 42,7 horas semanais, em 2022 e 2023. Já no Brasil, a média cairia para 40,1 horas semanais.
É, no mínimo, uma enorme distorção da realidade. Nesse imenso balaio em que mistura e equipara realidades diferentes, a pesquisa e o jornal (replicado em dezenas de sites de notícias e fakenews), omitem que, no Brasil, 77% dos trabalhadores com vínculos formais labuta em escala 6x1, de 44h semanais ou mais, bem acima da tal média mundial. São cerca de 32 milhões de mulheres e homens do contingente de pouco menos de 40 milhões que têm carteira assinada e que eles esquecem, como se não fizessem parte da população.
A maioria recebe de menos a até dois salários mínimos mensais. Boa parte mora longe do local do emprego e enfrenta ônibus lotados e lentos em deslocamentos de até quatro horas diárias, nas grandes cidades. São pessoas sem tempo para descansar, estar com a família, cuidar da saúde, acompanhar os filhos, conversar, estudar, se divertir. Trabalham como peças de uma engrenagem sem direito à vida.
A PEC 8/25 prevê a redução desse número máximo de dias trabalhados por semana para quatro, com jornadas diárias de até 8 horas e carga semanal de até 36 horas. Sem redução salarial e de postos de trabalho.
O Brasil tem um cenário propício, com aumento real do salário mínimo, queda da inflação, recordes de emprego e de comércio exterior. Mas também temos um Congresso de maioria de extrema direita e centro, contrários aos direitos do povo.
Não podemos nos iludir, não será fácil. Precisamos de muita mobilização e pressão sobre os congressistas. Eles sempre esperneiam, mas, na luta, vamos avançando.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



