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Camilo Irineu Quartarollo

Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

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A lei do Talião exige que se repare a ofensa

O Irã alega o princípio da Defesa Legítima, mas os EUA e Israel falam de “ataque preventivo” ou “defesa antecipada”, pode?

Bandeira do Irã
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Entre os grupos beduínos, de oásis em oásis com seus camelos e cabras, tinham leis próprias à boa convivência. A lei servia para trazer segurança aos clãs, respeito mútuo entre uma tribo e outra. Se alguém fizesse um mal a outro, tinha de reparar pela lei do Talião. Contudo, essa lei não é aplicada pelo próprio ofendido, por quem sofreu a perda, mas por outro encarregado disso.

Surge a figura do Salvador ou Redentor. De alguém capaz de vingar e fazer justiça entre os clãs, na medida certa, não além. A dose é imprescindível na aplicabilidade da lei. São Paulo narra que recebeu “quarenta chibatadas menos uma”. Isso se infere a não exceder o flagelo, bater demais, devido a eventual descuido ou raiva do carrasco.

As leis antigas eram orais, e muitas vezes óbvias ou matemáticas, como a Lei do Talião.

O rei Hamurabi da Babilônia ou atual Iraque, fez constar por escrito a lei do Talião com preceitos esculpidos numa pedra de diorito, entre 1792 e 1750 a.C, que ora se encontra exposta no Louvre.

Nessa concepção de Justiça, Khamenei tinha estabelecido uma fátua, um decreto religioso, o qual vigorava em todo o Islã. A lei do Talião e os cuidados do cumprimento desta. Reagir na “medida da ofensa”, proibiu o uso nuclear como armas para ferir o meio ambiente e a Criação de Allah, proibiu ataques a civis, a hospitais ou a escolas.

A lei do Talião exige que se repare a ofensa. Assim, em 2024, para vingar os assassinatos de Nasrallah e de Haniyeh por Israel, o Irã disparou cerca de centenas de mísseis balísticos em direção ao território israelense. O fez em alvos militares, não a civis. Depois disso, pararam-se os ataques e foi declarado nada mais exigir.

Khamenei foi assassinado no mês sagrado de jejum, caridade e orações do Ramadã. Um árabe faz jejum diário, sem comer, beber, fumar e ter relações conjugais desde a primeira aurora até o pôr do sol.

Num primeiro momento, a morte do adversário foi apresentada como um trunfo. Líderes capitalistas que creem mais no dólar que no deus que dizem professar – ocidentais assaltam até a geladeira à noite. O filho do Condenado da Papudinha pediu aos seus seguidores jejum da meia-noite às seis horas! Bem depois do pôr do sol e antes do primeiro clarão.

O Irã prossegue detonando as Bases militares americanas dos países ao redor, fechou a navegação no estreito de Ormuz a petroleiros estadunidenses e de seus aliados. Atacou os radares e defesas antiaéreas de Israel. Civis israelenses são mortos no efeito colateral, pelos estilhaços das bombas iranianas, lançadas contra alvos militares, não a civis. Por isso o número de judeus mortos são poucos.

O Irã alega o princípio da Defesa Legítima, mas os EUA e Israel falam de “ataque preventivo” ou “defesa antecipada”, pode? Qual pessoa em boas condições mentais vai acreditar nisso?

Xiitas seguem o profeta Ali, martirizado, dão a vida pelo outro ou pela coletividade. Khamenei, o qual também era Ali de nome, não fugiu e sabia que seria supliciado, entretanto preparou o terreno de sucessão. O Irã não quer ganhar a guerra, quer se defender, mas vingará indubitavelmente.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.