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Eduardo Guimarães

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A garota do abismo e o arquétipo da sombra

A bela jovem de 21 anos, sedenta por viver, foi atirada no abismo para encontrar a morte. Com ela, o monstro das sombras se ergueu de uma coletividade demoníaca

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas (Foto: Reprodução/Instagram)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

“É um pensamento assustador que o homem também tenha um lado sombrio, composto não apenas de pequenas fraquezas, mas de uma dinâmica positivamente demoníaca. Quando esses indivíduos inofensivos se reúnem em massa, surge um monstro furioso.”

Carl Jung

A bela jovem de 21 anos, sedenta por viver, foi atirada no abismo para encontrar a morte. Com ela, o monstro das sombras se ergueu de uma coletividade demoníaca e se atirou junto, mas, à diferença da inocente, sobreviveu.

Encontrei o monstro (onde mais seria?) em uma rede social. O perfil “Planeta Ella” noticiou assim a tragédia: 

“Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos quando morreu durante um salto de rope jump em Limeira, interior de São Paulo. Segundo as investigações, ela teria sido lançada da chamada Ponte do Esqueleto sem que a corda de segurança estivesse presa ao corpo. 

Três homens foram indiciados por homicídio com dolo eventual e a investigação busca esclarecer como uma atividade que depende integralmente de protocolos de segurança terminou em tragédia.

Mas, enquanto familiares e amigos tentavam lidar com a perda e aguardavam respostas, outra violência começou a circular pelas redes sociais. Comentários obscenos, piadas sobre o corpo da jovem e mensagens de cunho sexual passaram a acompanhar a cobertura do caso. 

Em vez de enxergar uma mulher que perdeu a vida em circunstâncias brutais, muitos usuários transformaram sua imagem em objeto de deboche, desejo e crueldade. A morte não interrompeu a violência (...)”

Ao lado da imagem da moça publicada em seu próprio perfil, em roupa de ginástica, comentários de homens (?) sexualizavam e vilipendiavam seu corpo despedaçado pela incúria criminosa dos que a atiraram para a morte. 

Não poderei reproduzir aqui o que mal pude ler; uma mescla de necrofilia com sadismo sexual ou biastofilia. Mas reproduzirei os nomes dos perfis asquerosos que cometerem aquele crime de lesa-humanidade, para que, talvez, colabore com a caça a esses monstros. 

@Saimon2m6

@GarroHeroi6514

@macaconisV4

@httpscheiropo

@EstrupilsonNeg

Devem ser muitos mais. 

Ah, mas para quê? O que pretende indiciando, talvez, alguns monstrinhos que, talvez, sejam até imberbes?

Quem sabe para estudá-los. Como nasceram seres como esses? Quem são seus pais? Onde moram? O que comem? 

Há algo por trás disso: a sexualização da mulher como forma única de setores da dita “masculinidade” ver o sexo oposto. Esses homens não querem mulheres ajudando a produzir conhecimento, destacando-se nas artes, nas ciências, na política... 

Querem-nas na cama, no chão, em qualquer beco sujo e escuro para onde possam arrastá-las para satisfazerem seus instintos primitivos. 

Sexo é bom. Elas gostam tanto quanto nós, homens. Mas nós as reduzimos a máquinas de prazer e, não, em companheiras com as quais possamos trocar todo tipo de interação humana. Inclusive prazer sexual. 

Perdoem-me, mas quero puni-los. Quero fazê-los de exemplos. Quero que outros tenham medo de fazer o que fazem. Pelo menos até que encontremos uma fórmula de educar e ressocializar aqueles que não têm condição de viver em sociedade. 

Quando olho para as mulheres que amo como pai, como avô, como homem e vejo os riscos aterradores que as ameaçam, meu ímpeto primeiro é sair pelas ruas como um caçador de vampiros, com uma estaca e um martelo nas mãos. 

Não serviria de nada e logo desisto. Mas apelo a você, que talvez esteja conseguindo pensar neste momento de tanta dor e horror, que pense e proponha algo que não sei o que é e que talvez sirva para que a humanidade pare de descer cada vez mais baixo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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