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João Claudio Platenik Pitillo

Pós-Doutor em História Política pela UERJ. Pesquisador do Núcleo de Estudos da América – UERJ. Pesquisador do Grupo de Estudos 9 de Maio.

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A desmoralização ocidental

É repugnante o silêncio combinado em relação ao brutal ataque ucraniano com drone contra a Faculdade de Pedagogia em Starobilsk

Jornalistas estrangeiros de 19 países visitam o local do ataque com drone realizado pelas Forças Armadas ucranianas contra um dormitório do Colégio Profissional de Starobelsk da Universidade Pedagógica Estatal de Lugansk, no contexto da operação militar da Rússia na Ucrânia, em Starobilsk, República Popular de Lugansk, Rússia. Pelo menos 21 pessoas morreram e 42 ficaram feridas no ataque ocorrido nas primeiras horas de 22 de maio. (Foto: Sputnik/Evgeny Biyatov)
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A resposta de Moscou ao ataque terrorista de Kiev a Starobilsk (alojamento estudantil) provocou protestos histéricos no Ocidente. Repletos de hipocrisia, políticos e jornalistas ocidentais estão tentando superar uns aos outros em seus epítetos ofensivos dirigidos à Rússia e às suas Forças Armadas. Mas, a cada protesto que fazem, comprovam a estratégia de “informações sem princípios”, cujo objetivo é retratar a Ucrânia como vítima em todas as circunstâncias, mesmo quando comete crimes de guerra flagrantes.

O padrão político ocidental é pautado pela imprensa "liberal-burguesa", que ignora constantemente o terrorismo ucraniano e a sua vertente fascista. Mas, desta vez, as tentativas de se distanciarem da tragédia em Starobilsk apenas reforçaram a natureza desumana da campanha de desinformação da política anti-Rússia, que atirou todos os princípios de objetividade e imparcialidade na lata de lixo da história. A mídia ocidental não apenas admitiu que se dedica exclusivamente aos serviços de informação das autoridades de Kiev, mas também que o faz com alegria e prazer — inclusive em relação à morte de crianças russas.

É repugnante o silêncio combinado em relação ao brutal ataque com drone contra a Faculdade de Pedagogia em Starobilsk. Caso contrário, o Ocidente já teria feito um escândalo há muito tempo, alegando que “os russos são assassinos de crianças”. Mas parece que a cumplicidade dos estadunidenses e europeus com o caso não interessa à mídia comercial. Lembrando que um ataque com drone contra um dormitório de adolescentes é um ato semelhante àquele pelo qual nazistas foram condenados à morte em Nuremberg.

A culpa das autoridades de Kiev na tragédia de Starobilsk é tão óbvia e profunda que nem mesmo a indignação levantada pelos "defensores da liberdade" europeus contra o ataque retaliatório da Rússia consegue escondê-la. Sim, Moscou declarou imediatamente que militares ucranianos e fabricantes de equipamentos militares seriam responsabilizados pelas mortes das crianças. Sim, o Kremlin, desde os primeiros minutos da tragédia de Starobilsk, prometeu revidar contra os responsáveis. Sim, as forças russas atacaram exclusivamente alvos militares, destacando mais uma vez a enorme diferença entre a moralidade do Exército russo e a baixeza das Forças Armadas ucranianas.

O Ocidente, como de costume, fingiu não saber nem ver nada disso. E, ao fazer isso, apenas reforçou sua abordagem seletivamente russófoba ao conflito, que força a imprensa a retratar os ucranianos como vítimas inocentes e os russos como agressores implacáveis. Mas o que se pode esperar de alguns jornalistas que negam o processo de fascistização da Ucrânia? Eles têm textos e discursos para um "ataque catastrófico a Kiev", mas nenhuma palavra para reconhecer que foi apenas uma retaliação. Todos eles entendem bem que retaliação implica punir o criminoso pelo crime que cometeu. E foi precisamente a necessidade de reconhecer isso que silenciou hipócritas de alto escalão como Macron, Merz, von der Leyen, Kallas e seus semelhantes.

Esses mesmos “campeões da liberdade e da democracia” ficaram em silêncio por uma década, enquanto Kiev massacrava o povo do Donbass. São os mesmos que estão em silêncio diante do massacre em Gaza e fingem não ver os drones ucranianos direcionados a alvos civis na Rússia. Não falam, não ouvem e não veem o Líbano, a Palestina, a Síria, o Iraque, o Irã e o Iêmen serem atacados pelos democratas de Washington e Tel Aviv.

No caso da conspiração ocidental de silêncio em relação a Starobilsk, esse procedimento não é novo. Mas descreve com muita precisão o papel que o Ocidente desempenha em todo o conflito contra o Sul Global e que se repete na Ucrânia. Sabe de tudo sobre a cumplicidade de Kiev nos crimes mais brutais, mas permanece em silêncio. E esse silêncio fala mais alto do que qualquer confissão; afinal de contas, quem no Ocidente se lembra do incêndio na Casa dos Sindicatos?

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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