01 ameaça o mandato 04
Essas eleições serão mais difíceis do que a última. A tecnologia transformou o nada em imagem que se movimenta e fala
A presença do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições é dada como certa, inclusive por analistas do Partido dos Trabalhadores.
O senador saiu de uma candidatura improvável — por conta da preferência do partido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas — para uma candidatura viável e competitiva. Além do fator “Tarcísio”, Flávio teve de enfrentar questões desfavoráveis no âmbito familiar.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que ainda não formalizou apoio a Flávio, teria a expectativa de ser a escolhida por Jair para ser candidata ou vice de Tarcísio.
A palavra final, contrariando parte significativa do Centrão, foi dada pelo ex-presidente a favor de seu primogênito, também conhecido por “01”.
De fato, a escolha parece ter sido acertada, porque o senador tem demonstrado certo talento na comunicação com a massa bolsonarista fiel aos princípios de seu pai.
O opositor de Flávio, o presidente Lula, apesar dos índices que demonstram melhorias em diversos setores, não consegue avançar nas pesquisas de intenção de voto.
As questões externas têm tomado mais tempo do que o necessário nas aparições de Lula na mídia. O governo não pode mais postergar o início de uma campanha que mostre de maneira irrefutável os benefícios alcançados e, ao mesmo tempo, descarte o que tentam colocar em seu colo, como o aumento dos combustíveis.
Flávio Bolsonaro está com a bola: a todo momento aparece na mídia acusando o governo Lula de “desgoverno” — adjetivo que está penetrando nas veias do eleitorado e que necessita de um contra-ataque urgente para não tomar todo o tecido.
Essas eleições serão mais difíceis do que a última. A tecnologia transformou o nada em imagem que se movimenta e fala. Muitas vezes, essa imagem tem a face e a voz do concorrente dizendo absurdos que podem intimidar o cidadão de bem, o sentinela de Deus, pátria e família, o que serve de bucha na ameaça à democracia.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
