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Petro contesta apuração e diz que aceitará apenas resultado oficial da Justiça eleitoral na Colômbia

Presidente colombiano questiona sistema de contagem de votos e denuncia supostas irregularidades

Presidente da Colômbia, Gustavo Petro 29/12/2025 (Foto: Luisa Gonzalez/Reuters)
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247 – O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, contestou neste domingo (31) os resultados preliminares da eleição presidencial que apontam a realização de um segundo turno entre o senador Iván Cepeda, apoiado pelo governo, e o advogado Abelardo de la Espriella. Segundo os dados iniciais divulgados após a votação, Espriella liderava a disputa com 43% dos votos, seguido por Cepeda, com 41%, com 90% das urnas apuradas.

Em publicação nas redes sociais, Petro afirmou que não reconhece como definitivos os números do chamado pré-conteo, sistema de totalização preliminar utilizado durante a noite eleitoral, e declarou que aceitará apenas os resultados produzidos pelas comissões escrutadoras da Justiça colombiana.

"O chamado conteio transmitido não tem força vinculante. Seus dados não são norma pública. Como presidente, não aceito os resultados do pré-conteio da empresa privada dos irmãos Bautista", escreveu Petro.

O presidente argumentou que os algoritmos utilizados no sistema de contagem e escrutínio teriam sido modificados três vezes na última semana antes da eleição. Segundo ele, essas alterações teriam incorporado cerca de 800 mil registros adicionais ao banco de dados eleitoral.

"Havendo os algoritmos do software de contagem e escrutínios permanecido estáveis, eles foram alterados em três oportunidades na última semana e acrescentaram 800 mil cédulas de pessoas que não estão no censo oficial apresentado", afirmou.

Petro denuncia divergência entre censos eleitorais

Na mesma mensagem, o presidente colombiano sustentou que existem atualmente dois registros distintos de eleitores no processo eleitoral.

"Há dois censos neste momento: o oficial e o do software dos irmãos Bautista, que tem 800 mil pessoas adicionais", declarou.

Petro também afirmou que mesas eleitorais já contestadas apresentariam indícios de inclusão irregular de votos.

"As mesas já impugnadas demonstram que centenas de milhares de votos foram agregados sem existência de sufragantes", escreveu.

Diante das alegações, o presidente reiterou que não considera o pré-conteio como resultado oficial da eleição e destacou que a legislação colombiana atribui caráter vinculante apenas ao escrutínio conduzido pelas autoridades eleitorais.

"Portanto, e conforme a lei, os resultados vinculantes que o presidente atenderá e aceitará são os das comissões escrutadoras dirigidas pelos juízes da República", afirmou.

Disputa opõe continuidade de Petro e projeto conservador

Caso os resultados preliminares sejam confirmados pelo escrutínio oficial, a Colômbia deverá realizar um segundo turno em 21 de junho entre Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella.

Cepeda, de 63 anos, é o candidato apoiado por Gustavo Petro e representa a continuidade das políticas implementadas pelo primeiro governo de esquerda da história colombiana. Senador desde 2014, ele construiu sua trajetória política em torno da defesa dos direitos humanos e da busca por soluções negociadas para os conflitos internos do país.

Do outro lado está Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de 47 anos que disputa sua primeira eleição presidencial. Com discurso nacionalista e antissistema, ele ganhou projeção na reta final da campanha por meio do movimento Defensores da Pátria. Sua candidatura recebeu apoio do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Violência e segurança marcaram a campanha

A eleição ocorreu em meio a um cenário de forte preocupação com a segurança pública. Pesquisa do instituto Invamer para a Caracol Noticias apontou a violência como principal preocupação dos colombianos, citada por 40,8% dos entrevistados.

O país enfrenta o pior quadro de violência da última década. Em 2025, aproximadamente 14 mil pessoas foram assassinadas na Colômbia. O tema ganhou ainda mais relevância após o assassinato do senador Miguel Uribe, pré-candidato à Presidência, morto a tiros em Bogotá no ano passado.

Para garantir a realização do pleito, o governo colombiano mobilizou 408 mil agentes de segurança, além de aeronaves, drones, navios, sistemas antidrones e veículos blindados em todo o território nacional.

"Fazer eleições na Colômbia não é o mesmo que fazê-las na Suíça. Existem riscos à democracia. Isso não deve ser ignorado", declarou o ministro da Defesa, Pedro Sánchez.

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