AI Gemini

Resumo premium do artigo

Exclusivo para assinantes

Síntese jornalística com foco no essencial, em segundos, para leitura rápida e objetiva.

Fazer login
HOME > América Latina

México aprova fim da jornada de trabalho 6x1

Congresso mexicano aprovou reforma constitucional para diminuir carga semanal de 48 para 40 horas até 2030 mantidas seis jornadas com um dia de descanso

México aprova fim da jornada de trabalho 6x1 (Foto: REUTERS/Henry Romero)

247 - O Congresso do México aprovou nesta quarta-feira uma reforma constitucional que estabelece a redução gradual da jornada de trabalho de 48 para 40 horas semanais, marcando um dos maiores ajustes nas normas laborais do país em mais de um século. A proposta, apresentada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum, já havia sido aprovada pelo Senado e foi ratificada pela Câmara dos Deputados com ampla maioria, antes de seguir para aprovação nas legislaturas estaduais — um passo necessário para sua promulgação final.  

A reforma, cuja fonte original da notícia foi divulgada pela Agência France-Presse (AFP), prevê uma transição gradual: a partir de 2027 a jornada semanal será reduzida para 46 horas, com cortes de duas horas por ano até atingir as 40 horas em 2030. No comunicado oficial, a Câmara dos Deputados ressaltou que “em nenhum caso a redução da jornada laboral implicará diminuição de sueldos, salarios ou prestaciones”, assegurando que os trabalhadores não terão perdas salariais ou de benefícios por conta da mudança. 

Entretanto, a reforma gerou críticas entre parlamentares de oposição e organizações trabalhistas por manter no texto constitucional a cláusula que garante apenas um dia de descanso remunerado por cada seis dias trabalhados, em vez de dois dias de descanso por semana — algo que muitos opositores defenderam durante o debate legislativo. 

A deputada Annia Gómez, do conservador Partido Acción Nacional (PAN), classificou o texto aprovado como “una simulación” por não contemplar dois dias de repouso semanal, sinalizando que a medida ainda está aquém do esperado por setores críticos. Por sua vez, legisladores de centro-esquerda também ressaltaram que a redução deveria incorporar explicitamente mais tempo de descanso como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores no México. 

Além da mudança no limite de horas trabalhadas, o texto aprovado inclui ajustes relativos às horas extras, estabelecendo um teto de até 12 horas semanais em situações excepcionais, com limites diários para o acréscimo de jornada. 

Analistas e instituições econômicas observaram que o México tem uma das maiores jornadas de trabalho anuais entre países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) — um fator que, segundo defensores da reforma, justifica a modernização do marco trabalhista. 

A medida ainda precisa ser ratificada por legislativos de pelo menos 17 dos 32 estados mexicanos antes de ser publicada no Diario Oficial de la Federación e entrar formalmente em vigor. 

Impacto regional e implicações sociais

Com a aprovação dessa reforma, o México se aproxima de outras nações da América Latina — como Chile e Equador — que já preveem jornadas semelhantes em suas legislações, embora a norma ainda esteja distante da universalização de semanas de trabalho mais curtas no continente.  O debate, além de econômico, tornou-se também um tema de impacto social e de bem-estar, envolvendo discussões sobre saúde, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e produtividade.

A tramitação final e os termos da regulamentação ainda devem ser acompanhados atentamente por empregadores, sindicatos e especialistas, que aguardam os desdobramentos da implementação ao longo dos próximos anos, à medida que o país se ajusta a esse novo marco legal.