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Governo do direitista Kast reprime manifestações de estudantes chilenos

Manifestação em Santiago denuncia medidas do governo Kast e aumento de preços que impactam custo de vida e educação

José Antonio Kast, candidato de extrema direita nas eleições do Chile - 27/11/2025 (Foto: REUTERS/Pablo Sanhueza)

247 - Estudantes secundaristas e universitários tomaram as ruas do centro de Santiago na quinta-feira (26) em um protesto de grande escala contra medidas do governo do presidente José Antonio Kast. A mobilização foi marcada por confrontos com forças policiais, que utilizaram canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

As informações foram divulgadas pela Telesur, com base em dados de agências, e apontam que o ato foi organizado pela Assembleia Coordenadora de Estudantes do Ensino Médio (ACES), reunindo também organizações universitárias e federações estudantis.

A manifestação seguiu em direção ao antigo prédio do Congresso Nacional e teve como principais pautas a rejeição a um corte orçamentário de quase 3%, que afeta áreas como educação e saúde, além da forte elevação nos preços dos combustíveis. Segundo os estudantes, o aumento de quase 60% no diesel deve impactar diretamente o custo de vida, encarecendo alimentos, transporte e serviços básicos.

Críticas a mudanças na educação

Entre as principais críticas ao governo estão o endurecimento das penalidades para devedores do Crédito com Garantia Estatal e a eliminação gradual da gratuidade do ensino superior para estudantes com mais de 30 anos. Para a ACES, essas medidas representam um ataque direto aos direitos sociais e educacionais.

A organização também questiona alterações na política de gratuidade universitária, que até 2025 beneficiava cerca de 600 mil estudantes. Na avaliação do movimento, a restrição desse direito amplia desigualdades e reforça um modelo educacional orientado pelo mercado.

Ampliação da mobilização estudantil

O protesto contou com apoio de centros estudantis de escolas secundárias de Santiago, além de entidades universitárias como a CONFECH e federações como a FEUSACH. A articulação entre esses grupos pode fortalecer uma retomada do movimento estudantil no país.

Em declaração, a ACES afirmou: “O movimento estudantil atual tem o potencial histórico de voltar às ruas. Nossa luta não é apenas pelo direito a uma educação gratuita, universal, laica e não sexista, mas também pela defesa irrestrita do meio ambiente, pelo direito ao aborto legal e seguro e por cuidados de saúde dignos para todos”.

A entidade também convocou federações estudantis, sindicatos e a Associação de Professores a abandonarem a inação e elaborarem um plano de mobilização mais eficaz diante do que consideram um retrocesso nos direitos sociais.

Contexto político e impacto recente

Os protestos ocorrem após uma série de anúncios recentes do governo de José Antonio Kast, incluindo uma agenda voltada a políticas extrativistas e medidas favoráveis a grandes empresas, que já haviam provocado manifestações de organizações ambientalistas.

O impacto político dessas decisões foi imediato. Em menos de duas semanas, os índices de desaprovação do governo subiram de 37% para 49%, superando os níveis de apoio à administração presidencial.

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