Cepeda contesta 33 mil mesas na eleição colombiana
Gustavo Petro cobra contestação de formulários E14 sem assinaturas e defende aguardar a apuração
247 - O candidato do Pacto Histórico, Iván Cepeda, anunciou a contestação de 33 mil mesas na eleição colombiana, enquanto o presidente Gustavo Petro cobrou a impugnação de formulários E14 sem assinaturas e defendeu que o país aguarde a apuração oficial dos votos, em meio a uma disputa presidencial marcada por margem mínima entre os concorrentes.
De acordo com a teleSUR, Cepeda afirmou, em pronunciamento no Teatro Centro Real, em Bogotá, que a contagem preliminar divulgada após o encerramento do segundo turno ainda é extraoficial. A votação ocorreu no domingo, 21 de junho, e a diferença entre os candidatos gira em torno de décimos de ponto percentual, com números próximos de 49% a 48%.
O senador declarou que sua campanha decidiu acionar os mecanismos legais diante da margem considerada a mais apertada já registrada em um segundo turno presidencial na Colômbia. Cepeda orientou sua equipe de fiscalização a acompanhar a apuração voto a voto, com revisão das atas e dos resultados em cada seção eleitoral.“Vamos para a recontagem”, resumiu sua equipe aos apoiadores reunidos no local.Apesar da contestação, Cepeda afirmou que o Pacto Histórico e as organizações da Aliança pela Vida respeitarão o resultado final assim que a contagem oficial e as verificações correspondentes forem concluídas. A posição busca reforçar que a campanha pretende atuar dentro dos procedimentos previstos pela legislação eleitoral colombiana.Gustavo Petro pede impugnação de formulários E14 sem assinaturas.
O presidente Gustavo Petro também se manifestou sobre o processo eleitoral. Em publicação na rede X, ele pediu que sejam contestadas as mesas cujos formulários E14 estejam circulando sem as assinaturas dos jurados de votação. Petro lembrou ainda que nenhum dos candidatos superou a barreira dos 50% dos votos.“É a contagem dos votos que determina quem é o presidente”, escreveu Petro.Em seguida, o presidente colombiano acrescentou: “Obedeço aos juízes”.Petro também fez uma leitura política do momento vivido pelo país. Ele descreveu a Colômbia como uma nação “partida por la mitad”, advertiu sobre uma suposta interferência estrangeira e pediu “tranquilidad entre la ciudadanía”. O
O presidente também propôs um acordo nacional para preservar a paz nos próximos anos.Em sintonia com essa mensagem, Cepeda chamou os cidadãos que estão no campo político oposto a buscar um acordo nacional capaz de enfrentar os grandes problemas estruturais e históricos da sociedade colombiana.“Estamos dispostos ao diálogo respeitoso”, afirmou Cepeda.
O candidato do campo progressista também declarou que a esquerda não permitirá, por meio da mobilização política, retrocessos nas conquistas sociais alcançadas durante a gestão de Petro.Registro Nacional defende processo de contagem.
O registrador nacional, Hernán Penagos, respondeu às denúncias apresentadas por Petro com dados sobre a operação eleitoral. Ele agradeceu a cerca de 860 mil jurados de votação, responsáveis por realizar a contagem nas mesas diante de testemunhas das duas campanhas.Segundo Penagos, quase 122 mil mesas foram instaladas em todo o território colombiano. A verificação, afirmou, não ficou concentrada apenas no Estado, já que o Conselho Nacional Eleitoral habilitou uma plataforma para que os fiscais das campanhas enviassem fotografias das atas de cada mesa a seus comandos.
Com isso, as duas campanhas mantêm acesso ao material necessário para comparar os resultados registrados. Ainda assim, Penagos destacou que o escrutínio municipal, ou de primeiro nível, já está em andamento e será conduzido conforme os procedimentos legais.
Nessa etapa, atuam cerca de 9 mil juízes e notários distribuídos em 2.992 comissões escrutadoras. Esses grupos revisam cada ata diante de testemunhas e representantes das campanhas.Atas físicas serão base da apuração oficialPenagos procurou esclarecer um dos pontos centrais da controvérsia. Segundo ele, o escrutínio de primeiro nível não é realizado com imagens nem com a publicação dos formulários E14, mas com as atas físicas E14 de Claveros, como determina a legislação colombiana.As imagens digitalizadas e as fotografias podem servir para comparação, mas a versão definitiva do resultado está preservada nos documentos físicos. Esse mesmo processo permite que as campanhas apresentem reclamações ou impugnações às comissões escrutadoras, conforme previsto no Código Eleitoral.
O mecanismo, segundo o texto fornecido, está em vigor desde 1986 e conta com autoridades, etapas e procedimentos definidos por lei.CNE terá a responsabilidade de proclamar o presidente.
Depois da contagem municipal, o processo segue para a contagem departamental, conduzida por delegados do Conselho Nacional Eleitoral. Em seguida, ocorre a contagem nacional, que será finalizada pelos magistrados do próprio órgão.Penagos resumiu a divisão de atribuições em uma frase: “O Cadastro Nacional não conta os votos, o Cadastro Nacional não divulga os resultados”.
A proclamação oficial do próximo presidente é responsabilidade do Conselho Nacional Eleitoral, conforme previsto na Constituição colombiana. A partir dessa etapa, de acordo com o registrador, a decisão cabe aos juízes e à autoridade eleitoral.Enquanto isso, duas narrativas seguem em disputa. De um lado, o campo governista defende a revisão individual de cada seção eleitoral e a espera pela apuração final. De outro, o Registro Nacional sustenta que a contagem foi conduzida de forma “impecável” e que a definição caberá às comissões escrutadoras e ao Conselho Nacional Eleitoral.
O resultado dependerá da verificação de cada ata física de apuração e da decisão das autoridades eleitorais. A Colômbia aguarda o pronunciamento oficial do órgão responsável por nomear o sucessor de Gustavo Petro em 7 de agosto.


