Lula negocia solução para veto da UE à carne brasileira
Reunião com líderes europeus criou mecanismo bilateral para tratar de carne, aço e interesses comerciais do Brasil
247 – O presidente Lula negociou com lideranças da União Europeia uma tentativa de solução para o veto da UE à carne brasileira, em uma reunião que criou um mecanismo bilateral para tratar de carne, aço e interesses comerciais do Brasil. O encontro ocorreu em meio à cúpula do G7 e envolveu a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. As informações foram publicadas nesta terça-feira (16) pelo portal G1.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os três dirigentes decidiram estabelecer um canal entre o Itamaraty e funcionários da Comissão Europeia para identificar entraves que atingem produtos de origem animal e produtos siderúrgicos. O objetivo é buscar alternativas que contemplem tanto as preocupações europeias quanto os interesses exportadores brasileiros previstos no acordo Mercosul-União Europeia.
O governo brasileiro informou que Lula, Von der Leyen e Costa se comprometeram a procurar soluções para temas de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção à indústria europeia do aço. Ao mesmo tempo, a negociação deverá considerar os interesses do Brasil em manter e ampliar suas exportações no âmbito das relações comerciais com o bloco europeu.
O impasse ganhou força no início de junho, quando a União Europeia publicou documento oficializando a retirada do Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com a medida, o Brasil fica impedido de exportar carne para a UE a partir de 3 de setembro deste ano.
Antimicrobianos são substâncias utilizadas no tratamento e na prevenção de infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser empregados como promotores de crescimento, prática que está no centro das preocupações regulatórias europeias.
Na lista de 2024, o Brasil aparecia autorizado a exportar carne bovina, carne de frango, carne de cavalo, tripas, peixe e mel. Com a nova decisão, o país deixou de constar da relação de fornecedores habilitados para todos esses produtos, o que amplia o alcance econômico e diplomático da restrição.
Após o encontro com Úrsula von der Leyen e António Costa, Lula afirmou nas redes sociais que o Itamaraty trabalhará em conjunto com funcionários da Comissão Europeia para mapear as dificuldades que atingem os setores de produtos de origem animal e de siderurgia.
"Nos comprometemos a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, em consonância com o acordo Mercosul-União Europeia", escreveu o presidente.
A reunião ocorreu no contexto da participação de Lula na cúpula do G7, na condição de convidado. O grupo reúne algumas das principais economias ricas do mundo para debater temas globais como economia, guerra, clima e segurança. Embora não tome decisões obrigatórias, o fórum tem forte influência política internacional.
Integram o G7 Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão, além da União Europeia, que participa das reuniões. Mais cedo, Lula posou para a foto oficial da cúpula ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Bilateral com o Japão
Antes da chamada foto de família da cúpula do G7, em Évian, na França, Lula também se reuniu com a primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae. O encontro teve como foco o fortalecimento dos laços entre Brasil, Japão e Mercosul.
Nas redes sociais, Lula afirmou que a reunião tratou do Marco de Parceria Estratégica entre o Japão e o Mercosul, lançado em dezembro do ano passado. Segundo o presidente, o instrumento reúne discussões sobre comércio, investimento e o atual contexto internacional.
"Anunciamos o lançamento das negociações do Acordo de Parceria Econômica entre o MERCOSUL e o Japão na futura 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, a ser realizada em Assunção, no final de junho", escreveu Lula.
De acordo com nota do Palácio do Planalto, as discussões com o Japão envolveram um amplo conjunto de temas, incluindo comércio, investimento e cenário internacional. O comunicado também informou que as partes trocaram informações sobre áreas de interesse e sensibilidades mútuas que deverão ser consideradas nas futuras negociações.
O governo brasileiro afirmou ainda que Japão e Mercosul reconheceram a importância estratégica da parceria e manifestaram interesse em aprofundar seus laços econômicos e comerciais. A agenda internacional de Lula, portanto, combinou a tentativa de superar barreiras impostas pela União Europeia à carne brasileira com a ampliação de frentes de negociação econômica com o Japão.



