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Ex-presidente da Fifa critica proximidade de Infantino com Trump e questiona neutralidade da entidade

Joseph Blatter afirma que relação entre o presidente da Fifa e o governo Trump contraria princípios da organização e gera preocupações sobre a Copa de 2026

Donald Trump e Gianni Infantino (Foto: Mandel Ngan/Reuters)
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247 - O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, voltou a fazer críticas à condução da entidade e à proximidade entre o atual dirigente, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista ao jornal Le Monde, o dirigente suíço afirmou que a relação entre os dois representa um problema para a neutralidade institucional da federação.

Blatter avaliou que a aproximação entre Infantino e Trump levou a Fifa a ultrapassar os limites estabelecidos por seus próprios estatutos. Segundo o jornal O Globo, ao comentar a influência política na entidade, ele declarou: "A atividade política da Fifa, que não está em conformidade com seus próprios estatutos referentes ao dever de neutralidade da organização, atingiu seu ápice. Os Estados Unidos não tiveram dificuldade em se estabelecer como uma grande potência do futebol".

As declarações ocorrem em meio a questionamentos sobre a realização da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México. Nas últimas semanas, problemas relacionados à concessão de vistos para jogadores, jornalistas e torcedores ganharam destaque. Entre os casos citados estão dificuldades envolvendo a seleção do Irã e a exclusão de um árbitro somali da competição.

Críticas ao formato da Copa

Blatter também voltou a se posicionar contra a ampliação do Mundial promovida pela Fifa. A partir de 2026, a competição contará com 48 seleções e 104 partidas. Sobre a mudança, o ex-dirigente afirmou: "Ela ultrapassa todos os limites!".

Aos 90 anos, Blatter já havia defendido anteriormente que torcedores evitassem viajar aos Estados Unidos durante a Copa do Mundo, além de manifestar oposição ao novo modelo do torneio.

Questionamentos sobre a escolha dos EUA

Na entrevista, Blatter relacionou a atual proximidade entre Trump e Infantino ao processo que definiu os Estados Unidos como sede da Copa de 2026. A escolha ocorreu em 2018, durante o primeiro mandato do presidente estadunidense. Os EUA contestaram a eleição do Catar como anfitrião da Copa de 2022. Na votação, o país do Oriente Médio venceu por 14 votos a 8.

Durante uma investigação conduzida pela Justiça francesa em 2021, o então ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, Sunil Gulati, declarou: "Acreditávamos que tínhamos a melhor proposta, mas não fomos selecionados. As regras vigentes na época não foram concebidas para permitir um processo o mais justo possível. Essas regras permitiam uma margem relativamente ampla, dentro da qual conduzimos nossa candidatura de maneira muito correta e imparcial. Elas deixavam uma margem muito grande para ações fora dos limites".

Imprensa amplia críticas

O jornal estadunidense The New York Times publicou nesta terça-feira (9) um artigo do jornalista Adam Crafton abordando os impactos das políticas migratórias do governo Trump sobre a Copa do Mundo de 2026.

No texto, Crafton associa as dificuldades enfrentadas por delegações e profissionais da imprensa para a obtenção de vistos à relação entre o presidente dos Estados Unidos e o comando da Fifa. O jornalista cita medidas adotadas pelo governo, como restrições de viagem e exigências adicionais para emissão de vistos.

A publicação também recorda declarações feitas por Infantino durante um congresso da Fifa realizado no Paraguai, em 2025. Na ocasião, o dirigente afirmou: "O mundo é bem-vindo na América. Claro, os jogadores, todos os envolvidos, mas definitivamente também todos os torcedores. E sejamos claros: isso não parte de mim, parte do governo americano".

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